sábado, 6 de novembro de 2010

Depressão




Eu vou indo para longe
num lugar escondido
onde eu possa dormir
sonhar um pesadelo
gritar de medo
suspirar de desespero

Numa cama vazia
dentro de uma casa
 rua da periferia
chorar sangrando todo o vazio

Olhar as sombras e as sobras
 solidão dos meus dias tristes
 estou doente do mundo
 queda depressão no buraco
os motivos não são tratados
miserável economia
destruição do dia a dia

O som da televisão é um chicote
 notícias de jornal sempre obituários
 contas não pagas são cartas de suicídio
a fome e sede são doenças terminais

As árvores plantadas foram ao chão
juntos das mãos e  pés de pessoas
 alunos foram censurados por estudar
o sorriso foi proibido com pena de morte
 há câmeras por todos os lados

O medicamento não cura a cabeça
a vida uma tortura
a religião e o governo vêm
rouba o sonho
 assassinar nosso corpo

Me levanto e sinto as dores
corpo sucateado envelhecido
comida igual ao lixo negado
bebo água suja e me deito

A noite vira uma madrugada maldita
nesse quarto de luz apagada
 memória lembra da resistência
a única saída para poder viver
que aos poucos parece estar sendo vencida
numa guerra em cada esquina






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